26 de Março de 2009
BIKINI
Meus dias vestem calças, o que deveria garantir a elas lugar nobre em meu closet (como comercial no horário da novela das oito). Mas é dos biquínis que eu gosto mais.
Paulistana que se presa vai à praia no máximo dois finais de semana por mês, nos outros, vai aos acontecimentos culturais da cidade, de calças, claro.
É por isso que sempre tive uma pontinha de inveja das cariocas, mulheres felizes, devem ter uma gaveta de biquínis no lugar da minha novela das oito. A inveja é bem pequena, como os biquínis cariocas. Aprendi (com o Danilo) a moderar no doce de leite e na vontade morar no Rio. Continuo vestindo calças para trabalhar. Calça é paixão, biquíni é poesia, diria Jabor.
Mantenho viva uma paixão sem vergonha por biquínis. Alguma coisa nessas miniaturas de transgressão fascina-me. Devo confessar que mesmo sendo paulistana freqüentadora de galerias de arte, teatros e restaurantes (usando calças e não biquínis, claro), tenho em meu closet o lugar de honra reservado a eles, os bombásticos motivos de guerra e prazer dos anos 50.
Se vivo fosse o estilista francês Louis Reard, criador do Biquíni (batizado por causa da ilha de Bikini, onde os americanos realizaram testes atômicos), quem sabe dividiria comigo esta homenagem às queridas pecinhas do vestuário feminino e em parte (a de baixo), do Gabeira.
Quem tira um biquíni da gaveta, pega uma sensação de prazer, sabe que tem algo de bom prestes a acontecer, no mínimo uma piscina. Que mágica é mergulhar o corpo na água, mas essa já é matéria para outra coluna
Foi assim dês de o tempo em que eu ouvia Biquíni- Cavadão. Passeava no shopping em busca do que usar no verão (a rima foi sem querer).
Esses pedacinhos de pano são parte da história, são esculturas de vanguarda, testemunhas da revolução feminina dos anos 50 e 60. Enquanto algumas queimavam sutiãs, outras colocavam fogo nas areias de Ipanema vestindo seus biquínis.
E já que o verão está começando a se despedir, presto aqui minha homenagem à minha pecinha de roupa (se é que se pode chamar de roupa) preferida.
O primeiro modelo, todo em algodão com estamparia imitando a página de um jornal, se comparado aos de hoje, era comportado até demais, mas para os padrões da época, um verdadeiro escândalo! Nenhuma modelo quis posar para a divulgação do pequeno traje. Por isso, em todas as fotografias do primeiro biquíni, lá está a corajosa stripper Micheline Bernardini, a única a encarar o desafio.
Veja a evolução do biquíni ao longo dos anos:
Anos 50 - As atrizes de cinema e as pin-ups americanas foram as maiores divulgadoras do biquíni. Em 1956, a francesa Brigitte Bardot imortalizou o traje no filme "E Deus Criou a Mulher", ao usar um modelo xadrez vichy adornado com babadinhos. No Brasil, o biquíni começou a ser usado no final dos anos 50. Primeiro pelas vedetes, como Carmem Verônica e Norma Tamar, que juntavam multidões nas areias em frente ao Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, e, mais tarde, pela maioria decidida a aderir à sensualidade do mais brasileiro dos trajes.
Anos 60 - A imagem sensual da atriz Úrsula Andress dentro de um poderoso biquíni, em cena do filme "007 contra o Satânico Dr. No" (1962) entrou para a história da peça. Em 1964, o designer norte-americano Rudi Gernreich dispensou a parte de cima do traje e fez surgir o topless, que ousadia! Porém no Brasil, essa moda não fez tanto sucesso quanto em algumas praias da Europa, mas mesmo assim o então prefeito de São Paulo, Prestes Maia, chegou a proibir o uso do topless em piscinas públicas.
Anos 70 - Um novo modelo de biquíni brasileiro, ainda menor, surgiu para mudar o cenário e conquistar o mundo: a famosa tanga.
Anos 80 - Surgiram outros modelos, como o provocante enroladinho, o asa-delta e o de lacinho nas laterais, além do sutiã cortininha. E quando o biquíni já não podia ser menor, surgiu o imbatível fio-dental, ainda o preferido entre as mais jovens. A musa das praias cariocas dos 80 foi sem dúvida a então modelo Monique Evans, sempre com minúsculos biquínis e também adepta do topless.
Anos 90 - A moda praia se tornou cult e passou a ocupar um espaço ainda maior na moda. O Brasil se tornou lançador da moda internacional, os modelos se multiplicaram e a evolução tecnológica possibilitou o surgimento de tecidos cada vez mais resistentes e apropriados ao banho de mar e de piscina. Um verdadeiro arsenal, entre roupas e acessórios passaram a fazer parte dos trajes de banho, como a saída de praia, as sacolas coloridas, os chinelos, óculos, chapéus, cangas e toalhas.
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