03 de Julho de 2009
Se...
 São tantas coisas fáceis de resolver. Se não pela lógica, que alguns de nós temos, pela lógica dos outros. É mais do que óbvio que comer verduras faz bem, se exercitar, trabalhar e ajudar aos outros, também. Se estivermos com um início de gripe, sentimos a garganta coçar, o nariz irritado e o corpo pesado, pronto, basta ficar em casa, tomar mel com limão, vitaminas e muito líquido. Se o dinheiro está voando, pare de gastar. Faça um regime de urgência, para encolher a barriga e o manequim, trabalhe um pouco mais e viaje no final de semana para curar o mau humor da rotina. Se o papo está ficando chato, parece que tudo está se repetindo, leia um livro, vá ao cinema, conheça pessoas novas. Se os problemas familiares estão de deixando louco, sem vontade voltar para casa, compre flores, mude a decoração da casa, faça cursos, aprenda coisas novas e ao encontrar as pessoas com quem costuma brigar, tenha uma atitude nova, de um sorriso, verá que a felicidade é contagiante e às vezes um sorriso também. Se você sente que a idade está chegando, se o espelho já não é tão amigo assim, troque as lâmpadas de 100W por lâmpadas de 60W, e as amigas da sua idade por amigas mais velhas. Se o cabelo está feio, sem brilho, passe babosa. Se seu filho parece ser o mais complicado, converse com outras mães. Se a sua empregada queimar o arroz, aproveite para comer salada e dormir mais leve. Se a sua namorada (o) fugiu, fuja também, saia da sua vida de sempre e reinvente-se, seja livre, ande de bicicleta, vá ao parque, a festas e ao museu. Ao que me parece quase tudo se resolve usando apenas o bom senso. Mas a memória, as lembranças do que poderia ter feito e não fez, esta não se resolve com nada disso, como li uma vez em algum canto por ai, cabelos brancos são fáceis de pintar, mas uma vida em branco não. Problemas, sofrimentos, desilusões, amores, traições, tudo isso é tinta para nossa vida. Cada vez que subimos um degrau, ainda que difícil, carregando o mundo em nossas costas, cada vez que conseguimos superar um problema, chegamos mais alto, viramos uma pagina, escrevemos nosso livro. O Chico Buarque sabe disso, em seu novo livro, Leite Derramado, a velhice, a solidão e um pouco de confusão mental derramam uma vida alucinante, cheia de detalhes simples e marcantes, poderiam ser a vida de qualquer um de nós, mas foi escrita por um músico e faz das palavras melodia. Nestes dias pré FLIP (Feira de Literatura de Paraty), ler é ainda mais gostoso, experimente.

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