02 de Setembro de 2009
Escrevo esta coluna enquanto olho para ele, meu grande amor.
Já faz mais de três anos. Entre um gole e outro de malbec, tentava convencer uma amiga a colocar um toque de magia em sua vida, aprender alguma coisa, se reinventar. Depois de discutirmos o que a Dani mais gostaria de aprender, chegamos ao veredicto, piano.
Ela concordou, com a condição de ser eu sua companheira de empreitada. Começaríamos no dia seguinte e em um ano deveríamos nos encontrar para tocar. Contei sobre minha maneira de enfrentar uma tristeza.
Cada um tem sua forma de viver as adversidades. Na época em que passei por uma grande tristeza, decidi que o melhor seria não pensar e a única coisa capaz de me fazer parar de pensar é pensar em outra coisa, afinal, em que eu estaria pensando se não estivesse pensando naquilo que me fazia infeliz?
Na época, me matriculei em todos os cursos sobre filosofia, psicologia, história e literatura que encontrei. É verdade que não lembro muito nem da metade, mas garanto que a outra metade foi o melhor remédio antidepressivo que encontrei e de quebra ainda conheci amores que perduram até hoje como Gabriel Garcia Marquez, Oscar Wilde, Willian Faulkner, Proust, Alain di Botton e por ai vai.
E assim combinei com a Dani que começaríamos a aprender piano, escolha dela. No dia seguinte me matriculei numa escola e um pouco depois conheci a Beth, minha professora até hoje.
A Dani adorou a própria idéia, não via a hora de sentar no piano e tocar, só faltou uma coisa; freqüentar as aulas.
Hoje, três anos depois, escrevo esta coluna enquanto olho para ele, meu grande amor, meu piano.
Durante muito tempo tive que ir toda semana até a casa da Beth e todos os dias saia de lá imaginando como seria o dia em que encontrasse o meu piano.
O dia chegou e foi ontem. Não foi muito fácil chegar, mas se algum dia algum de vocês quiser um piano, faça o mesmo caminho, a casa do Sr. Afonso. Um grande galpão cheio de musica, ainda que todos eles, os pianos, estejam cobertos com panos e estórias.
Este aqui é um autentico Steinway meia cauda de 1974, pertenceu a uma princesa, presente do marido depois da morte de uma pessoa querida, ele dizia que única vez que a via sorrir era quando estava sentada diante dele, contava o simpático senhor de olhos azuis e sotaque italiano.
Como esta, várias outras estórias, e a mais triste e bonita, a estória de vida de um imigrante italiano, um menino apaixonado por musica que viajou no colo da mãe ao som das ondas do mar, tocou sua vida como uma sinfonia de Beethoven e hoje aos setenta anos, depois de muita vida espalhada nos corredores do casarão, ainda deixa os olhos de quem o visita cheios d’água ao ouvir a musica de sua vida.
Foi lá, na casa do Sr. Afonso, entre tantas notas certas e enganadas, na companhia de pessoas muito queridas que descobri novamente a felicidade que é encontrar um grande amor e um grande homem.
Se algum dia você pensar em colocar um toque de mágica em sua vida, esta é minha dica!
Sr. Afonso 3857 4934
www.giovannavilela.blogspot.com
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