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28 de Fevereiro de 2009

A MODA NA RODA

Numa conversa de bar discutíamos a moda. O que é então?

Tudo o que ninguém precisa de verdade, mas que pensando melhor, mostra exatamente o que cada um é verdadeiramente.

Este foi mais um ponto de vista entre  croquetes e cervejas. A mesa redonda está aqui para isso, acabar de vez com a desigualdade, aja cavaleiros. Mas o que o rei Artur nem imaginava quando inventou a tal “tavola redonda” era que tudo isso acabaria virando moda.

O Tony, professor de literatura, acha que a moda é uma divindade em forma de mulher geniosa e muito charmosa, não se cansa de mudar, e nós, pobres mortais, sem saber de nada acabamos caindo em seus encantos.

Peço mais um cosmopolitan, que por capricho da tal deusa geniosa, agora deu para aparecer em todos os cardápios da cidade.

 

A conversa está animada, se alguém da mesa vizinha resolver espiar (e resolveram) aposto que vão querer participar. Isso se não tiverem lido o livro da Gloria Kalil, afinal não é chic dar palpite na mesa ao lado.

A essa altura a coitada da moda já despencou do pedestal, que não é de granito! O Granito está ultrapassado, melhor um pedestal moderno de algum material tecnológico onde a tal deusa não corra o risco de escorregar. 

Mas ela desceu direto ao submundo das futilidades e foi sentar num canto impuro, mal falado, ao lado do consumismo. Foi a Paula, juíza e mãe de duas meninas (quem diria), que a mandou para lá.

A ré foi declarada culpada por encher o planeta de lixo e ainda por cima confundir as pobres criancinhas na aula de artes. Onde já se viu vestir uma saia creme, esmalte tomate e sapato carne? A sentença é clara, viver na moda é para quem não tem vida, resumiu Paula.

O Oscar (Wilde) acreditava que a maquiagem dizia mais sobre alguém do que o próprio rosto (ele não é maquiador, e se você não sabe quem é, acho melhor se informar, falta de cultura nunca esteve na moda). Se ele estivesse aqui, certamente encerraria esta crônica com uma de suas célebres frases:
A única coisa necessária é o supérfluo.

 

fotos : fonte wikipédia

 


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